Confissões de irregularidades marcam reunião da CPI da Ebal

Em depoimento, empresário admitiu a utilização de notas frias, no valor de R$ 408 mil, nas relações comerciais de empresas que prestavam serviços à Ebal.

A CPI que investiga irregularidades, durante a gestão passada, na Ebal ouviu na manhã desta quarta-feira (19), o proprietário da Nova Esperança, Transportes e Comércio, de Feira de Santana, Amilton Campos e o proprietário da Casa das Lâmpadas, de Senhor do Bonfim, Huguembergue Passos. Ambos possuiam relação comercial com a construtora Comasa há época da prestação de serviços desta à OAF, no âmbito da Ebal.

O primeiro depoente, proprietário da empresa Nova Esperança, recebeu cerca de R$ 3,3 milhões da Comasa pela venda de mais de 205 mil sacos de cimento, o que daria para construir 782.664 m² de paredes com revestimento dos dois lados. Segundo a Auditoria Geral do Estado, a empresa emitiu notas fiscais sem especificações do local onde seria entregue o produto, e grande parte delas está sem carimbo de Postos Fiscais da Secretaria da Fazenda. Porém, o depoente se eximiu dessas responsabilidade, afirmando que realizava apenas a venda, ficando o transporte do cimento por conta do comprador. Ainda, informou que a Comasa realmente efetuou a maioria dos pagamentos em dinheiro.

Em um depoimento revelador, o proprietário da Casa das Lâmpadas confessou ter emitido em 2006, a pedido do representante da Comasa, José Gomes, duas notas fiscais, nos valores de R$ 162.250 e de R$ 246.010, por serviços e produtos comercializados ao longo de 7 anos. No entanto, o contrato da construtora com a OAF se iniciou em outubro de 2003.

O depoente adimitiu que as duas notas incluem serviços prestados à outros clientes da Comasa, que não a Ebal, como a prestação de serviços em um posto de gasolina, no município de Jaguarari, e ainda afirmou que emitiu as notas frias porque José Gomes era o melhor cliente de sua empresa, mesmo não tendo condições de recolher os impostos. O relator da CPI, deputado José Neto, avaliou a última reunião como fundamental já que ficou evidente “o uso indevido de notas fiscais por parte de prestadores de serviço”.

No dia 26 de setembro, quarta-feira próxima, a CPI ouvirá, na condição de testemunha, o proprietário da Cosme Bispo dos Santo, que não compareceu à reunião anterior para qual foi convocado. Aprovou-se ainda, para o dia 03 de outubro, o depoimento do proprietário da construtora Axxo para esclarecer se realmente foi cumprido o projeto de reforma da Fábrica Nossa Sopa.

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